Oficina de Crônicas na BVL

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Em abril, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) realiza uma Oficina de Crônicas com o escritor Fabrício Corsaletti. A ideia é dar um panorama sobre este gênero no Brasil, ler muitos textos, praticar a escrita e discutir literatura, além de analisar os textos de grandes nomes da crônica do país. O professor começou falando de história. Disse que o primeiro cronista brasileiro que se tem registro é Francisco Otaviano, um ‘folhetinista’ dos idos de 1850. Ele além de jornalista, foi diplomata, político e poeta. Mas grande estrela do século XIX foi Machado de Asssis, que em seus textos falava do noticiário, dos bastidores da política e fazia uma espécie de coluna social. Fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele criou crônicas com um humor muito ácido e uma ironia que lhe era característica. Seus escritos fizeram história em jornais como o Diário do Rio de Janeiro e a Gazeta de Notícias.

Um segundo movimento se deu com João do Rio, que publicou em 1910 o livro seminal chamado A alma encantadora das ruas.  O autor publicou em vários jornais e com diversos pseudônimos, crônicas que retratavam a realidade das ruas. Vale lembrar que o Rio de Janeiro estava se modernizando na gestão do prefeito Francisco Pereira Passos, que aterrou a cidade e abriu as grandes avenidas. Passos tinha como inspiração a reforma urbana de Paris, promovida por Georges-Eugène Haussmann entre 1850 e 1870. Esse Rio de Janeiro frenético era o assunto preferido de João do Rio.

Para Corsaletti, o autor estava meio século na frente de autores como Tom Wolfe e Gay Talese, que nos Estados Unidos criaram uma vertente chamada jornalismo literário – textos baseados na observação, em colher a matéria, ir para a rua. João do Rio também ‘bebeu’ dos franceses, entre eles, Charles Baudelaire, o maior nome da poesia moderna do século XIX e um excelente cronista.

A terceira fase da crônica brasileira tem como pilar o autor capixaba (e mineiro por adoção) Rubem Braga, que entre a partir dos anos 1930 escreveu mais de 1500 crônicas. Hoje é celebrado como o maior autor brasileiro do gênero. Ele traz elementos diferentes para a crônica da época, entre eles a autonomia: ou seja, o cronista pode escrever sobre o que ele bem entender. Até escrever sobre o nada. “A felicidade é uma suave falta de assunto”, defendeu Braga no texto A boa manhã. Entre seus contemporâneos estão: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Nelson Rodrigues, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Vinicius de Moraes, entre muitos outros. Um time de ouro, uma seleção brasileira.

O oficineiro trouxe na aula uma indicação de texto que considera essencial para entender o gênero: A vida ao rés-do-chão, de Antônio Cândido (leia versão integral neste link). Para Corsaletti, este ensaio traz o que poderia ser considerado uma ‘formula’ da crônica, especialmente na sua roupagem moderna. Entre os elementos estão o fato miúdo + um pouco de poesia + um pouco de humor.

Ao fim da atividade, o professor pediu que os alunos escrevessem uma crônica para a próxima aula, a ser realizada no dia 12. Tem também algumas leituras recomendadas: para começar, Rubem Braga, Antônio Candido e Antonio Prata. O segundo encontro vai falar dele, Antonio Prata e dos já citados Drummond, Sabino, Clarice Lispector. A ideia é analisar a crônica e o jornalismo e a crônica e a ficção. Veja fotos da atividade nesta quarta, 5 —>

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