Morre o poeta Ferreira Gullar

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O poeta, escritor e teatrólogo Ferreira Gullar morreu na manhã desse domingo, dia 4, no Rio de Janeiro. Ele tinha 86 anos e estava internado há 20 dias no hospital Copa D’Or, na capital fluminense. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), a causa da morte foi pneumonia. Na ABL, Gullar tornou-se o sétimo ocupante da cadeira de nº 37 em 5 de dezembro de 2014. Foi um dos maiores nomes da poesia brasileira no século 20.

José de Ribamar Ferreira, seu verdadeiro nome, nasceu em São Luís do Maranhão, em 10 de setembro de 1930. De acordo com o site da ABL, no começo Gullar acreditava que todos os poetas já haviam morrido e somente depois se deu conta de que existiam muitos deles em sua própria cidade. Ele descobriu a poesia moderna aos 19 anos, por meio dos poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com o que leu e se aprofundou na leitura de ensaios sobre a nova poesia, a qual rendeu-se logo depois.

Tornou-se, então, um poeta experimental, que acreditava que o poema deveria ser inventado a cada momento. Em 1954 publicou seu primeiro livro de poesias, A luta corporal, cujos últimos poemas implodem a linguagem poética. Participou do surgimento da poesia concreta, mas, em seguida, virou dissidente do movimento, passando a fazer parte do grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

Gullar teve também forte atuação na imprensa, tendo participado, desde 1955, do projeto do Suplemento dominical do Jornal do Brasil, um marco do jornalismo cultural brasileiro. Lutou contra a ditadura militar, que tomou o poder em 1964. Acabou tendo de se exilar, passando por Moscou, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires. Foi na capital argentina que Gullar escreveu aquela que é considerada sua obra-prima: Poema sujo, um poema de quase cem páginas. Autobiografia poética e outros textos, lançado este ano, foi seu último livro.

 

 

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