Morre a escritora Elvira Vigna

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Morreu nesta segunda, 10 de julho, a escritora Elvira Vigna, uma das vozes mais instigantes da literatura brasileira contemporânea. Elvira teve uma prolífica carreira no jornalismo, na crítica de arte, nas artes visuais, na tradução e na literatura infantil antes de começar a escrever seu nome no panteão da literatura brasileira “para adultos”. Sete anos e um dia, publicado pela José Olympio em 1988, é o primeiro dos seus 10 romances lançados em vida – o segundo viria em 1997, quase dez anos depois. Também houve pelo menos uma dezena de livros infantis e juvenis, muitos outros ilustrados, além de traduções e textos teóricos na imprensa.

Segundo comunicado divulgado pela família, desde 2012, quando foi diagnosticada com um câncer de mama, Elvira optou por não dar ciência sobre a doença e trabalhar normalmente, pois seria excluída de atividades profissionais que dependessem de convite. Tanto que de lá para cá publicou 7 livros, sendo quatro no Brasil, um na Itália, um em Portugal e um na Suécia; como autora, recebeu 4 prêmios de prestígio (prêmio APCA de Melhor Romance 2016, segundo lugar do Oceanos, prêmio ‘ficção’ da Academia Brasileira de Letras, Cidade de Belo Horizonte de Melhor Romance) e foi finalista de outros 4 (Prêmio Rio, Jabuti, São Paulo, Portugal Telecom); traduziu 4 livros; publicou 9 artigos acadêmicos; ministrou várias palestras; apresentou seus livros na feira de Gotemburgo (2015); ilustrou 4 livros, sendo dois desses premiados (incluindo um Jabuti de melhor ilustração); a lançar ainda, mais 3 livros.

 

O suplemento literário Pernambuco, na figura do editor Schneider Carpeggiani, propôs um roteiro de leitura das obras de Elvira. Lembrando que no acervo da BSP é possível encontrar alguns de seus livros:

Nada a dizer (2010) – Um livro sobre traição em que o marido adúltero não tem voz ao longo da narrativa. O processo de silenciamento é a via de recuperação que a autora oferece como espécie de compensação para a esposa traída. A morte da linguagem = a morte do sujeito. Uma obra que sedimentou o lugar de Elvira como uma das estilistas mais originais do país.

O que deu para fazer em matéria de história de amor (2012) – A vida oferece várias formas de se erguer uma história: pode ser um assassinato/ pode ser um relato amoroso, tudo depende do seu ângulo de observação. E também um dos começos mais fortes da literatura brasileira contemporânea – “Chega um cheiro de cigarro da mesa ao lado. Aspiro. Não fumo, nunca fumei, se me perguntarem, não gosto de cigarro, não perguntam, já sabem. No entanto, gosto. E podia parar por aqui. Porque é nisto que penso. Nessas histórias que parecem uma coisa e são outra. Se forçar a barra, chego no suspense, no será que. Por exemplo. Espero Roger. Já sei. Oi. Oi. E aí. Tudo bom. E, quando afinal ingressarmos no pós-introito, ele vai falar do Guarujá. De eu ir ao Guarujá. E eu vou dizer que não quero. E, no entanto, quero.”

Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (2016) – De certa forma, esse romance condensa o pensamento literário que Elvira distribuiu em sua obra ao longo da última década. Estão aqui um suposto assassinato, uma observação ferina a respeito do mundo em que vivemos e uma série de personagens longe de casa, em relações superficiais ou simplesmente perdidos.

 

Com informações de Estadão – Cultura e Suplemento Pernambuco

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