Marcelo Rubens Paiva na BVL

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O Segundas Intenções de junho na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) aconteceu neste sábado, 11, com o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva. A atividade teve um bom público e contou com a mediação do crítico literário Manuel da Costa Pinto. No bate-papo se falou de sua literatura e da intersecção entre memória e história, especialmente por conta de seu novo livro, Ainda estou aqui (2015). Na obra, ele conta a história do pai, Rubens Paiva, torturado e assassinado pela ditadura, e a mãe, Eunice Paiva, advogada reconhecida internacionalmente na questão dos direitos indígenas e que atualmente está com mal de Alzheimer.

“Com o passar do tempo, o trauma do assassinato do meu pai foi substituído pela curiosidade. E esse novo livro carrega o mesmo tom memorialista de Feliz ano velho, minha primeira obra. Só que agora sou um autor mais maduro e corajoso para colocar o dedo na ferida. É dolorido para quem escreve, mas necessário. Trato da memória da família e da memória do país. E nesse processo, descobri que a grande heroína da família era a minha mãe”, disse Paiva.

Ele também contou que, como autor, deve colocar mais da sua visão em seus futuros lançamentos. Atualmente está escrevendo um livro – ainda sem nome – sobre a cena punk de São Paulo na virada dos anos 70 para os 80. Ele conviveu com muitos músicos da época, ia em shows e conhecia muita gente do meio. O livro vai tratar também da sua geração, que por muito tempo foi asfixiada pelo regime militar. Vai contar o fim da ditadura durante o governo de João Baptista de Oliveira Figueiredo, sobre como a influência do liberalismo de políticos como Margaret Thatcher (Reino Unido) e Ronald Reagan (Estados Unidos) foi altamente nocivo para o nosso país e sobre o início do governo José Sarney.

“A gente se afastou da cultura politizada. Meus primeiros livros são politizados, mas depois me afastei do tema nos anos do Fernando Henrique Cardoso e do Lula. Claro, eles têm disto nas entrelinhas, não são apolíticos. Hoje quero só escrever e pesquisar sobre a história. Ridicularizar a nossa história não é legal. Acho um tema necessário, dado a polarização que vivemos hoje”, disse ele, ao ser indagado sobre a nova esquerda.

Essa nova esquerda que ele defendia nos anos 80 tem uma relação simbiótica com o PT. Mas, olhando em perspectiva, ele acha que o Partidos dos Trabalhadores se afastou da agenda que ele defendia, mais ligada a liberdades individuais como a descriminalização das drogas, o casamento homoafetivo e a legalização do aborto. “Estamos órfãos de uma esquerda que defenda essas pautas. E fui muito crítico das alianças que o PT fez para se manter no poder”, finalizou.

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