Marcelino Freire na BVL

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Neste sábado, 9 de abril, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu o escritor Marcelino Freire no programa de bate-papo com autores Segundas Intenções. Ele comentou sobre a sua vida em diversas cidades como Sertânia (PE), Paulo Afonso (BA), Recife e São Paulo, falou que gostaria de ser ator, apesar de não ter vocação para as artes cênicas e disse que sua literatura preza pela concisão e economia no estilo. “Só existe um lugar onde escrevo, e esse é o lugar do grito”, falou. A conversa aconteceu às 15 horas e foi mediada pelo jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto.

Para o mediador, a prosa de Marcelino tem uma oralidade sertaneja que se repete numa ladainha de palavras – mas essa forma é transplantada para o cenário urbano. O autor concorda e se define como um ‘concretista do agreste’ e afirma que gosta muito de palavras dentro de palavra, o que para ele evoca o conceito de movimentação e migração. É o caso de Nossos ossos (2013) e Angu de sangue (2000) em que ‘ossos’ está dentro de ‘nossos’ e ‘angu’ dentro de ‘sangue’. O escritor admite que em determinados momentos de sua vida essa busca pela filologia se tornou uma obsessão – especialmente nos anos 90, quando publicou um dos seus primeiros livros Era o dito (1998) – que brinca com frases clichês da publicidade. Ele mesmo trabalhou em agências como revisor por mais de uma década.

“Quando começo a falar, a palavra leva a outra palavra e assim sai as histórias que escrevo”, afirmou Marcelino, que após Nossos ossos ele quer se aventurar pelo romance. O livro foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti em 2014. Não levou os concursos mas ganhar uma certeza: “me animei com a prosa mais longa”. Em setembro, deve lançar Mulungu pela Record, seu novo romance que tem esse título em homenagem a uma árvore que dá frutos muito vermelhos, usados para fazer chá. O livro marca uma passagem na infância de Marcelino na Bahia e é uma homenagem a seu pai.

Ele nasceu em Sertânia e vive em São Paulo desde 1991. É considerado um dos principais nomes da nova geração de escritores brasileiros, designada “Geração 90”. Marcelino escreveu livros premiados como Contos negreiros, vencedor do Prêmio Jabuti de 2006, e Rasif – mar que arrebenta, ambos publicados pela Record. Vários de seus contos foram adaptados para teatro e traduzidos em outros idiomas.  Em 2004, idealizou e organizou a antologia Os cem menores contos brasileiros do século (Ateliê Editorial). É o criador da Balada literária, evento que, desde 2006, reúne anualmente quase uma centena de escritores, nacionais e internacionais, no bairro paulistano de Vila Madalena.

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