Luis Fernando Verissimo na BVL

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No sábado, dia 8 de agosto, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) promoveu um divertido bate-papo com o escritor Luis Fernando Verissimo no programa Segundas Intenções. A mediação da conversa foi do jornalista da Folha de S. Paulo e crítico literário Manuel da Costa Pinto. Por ser um fim de semana dedicado aos pais, o cronista falou sobre a influência de Érico Veríssimo na sua obra.

Disse que quando estava começando, sentia- se ‘inibido’ com a figura do pai e não queria investir na carreira de escritor. Ganhava dinheiro traduzindo romances do inglês para o português. Mas quando abraçou a sua vocação, afirmou que o pai foi a primeira pessoa a apoiar. Seu primeiro emprego no jornalismo foi no diário Zero Hora, de Porto Alegre. “Comecei a escrever meio que por acidente”, resumiu.

Verissimo falou sobre as suas duas vezes que morou nos Estados Unidos, uma durante a Segunda Guerra Mundial e outra já no início da Guerra Fria. Ao todo, foram quase seis anos no país do jazz. Foi lá que nasceu a sua paixão pelo ritmo; aprendeu a tocar saxofone na adolescência e hoje participa de turnês com a banda Jazz 6. “A gente viaja bastante por causa da literatura e da música. Aliás, aceitamos convites”, brincou.

Contou que a experiência no hemisfério norte definiu alguns nortes de seu pensamento político. E também de seu pai, que na época era um homem de esquerda e, ao mesmo tempo, liberal. “Meu pai foi estigmatizado tanto pela esquerda quanto pela direita. E teve que deixar o país durante o período do Estado Novo”, relembrou.

Sobre a situação política atual, disse que a população vive um período de desencanto e um perigoso clima de enfrentamento em virtude da crise política e econômica. “É algo com que temos que nos preocupar porquê muita gente está com saudades da ditadura”, afirmou o autor de A velhinha de Taubaté. O personagem era uma caricatura dos tempos de abertura do regime militar: uma senhora do interior de São Paulo que ainda acreditava no governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo.

Ele citou outro personagem clássico, As cobras, que também era uma sátira política. Mesmo com o sucesso das tirinhas, afirmou categoricamente que seu desenho é ruim e que ele tem como ponto forte a escrita. “O bom de escrever é que descubro o que estou pensando sobre determinado assunto”, disse. “Os físicos procurar uma teoria que explique a origem do universo. Escrever sobre tudo, isso é o que quero fazer na vida”, finalizou.

Confira fotos da atividade:

 

 

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