Uma livraria pensada para refugiados sírios

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Há exatamente um ano abria, em Istambul, na Turquia, a Pages Bookstore Café, livraria voltada para refugiados sírios, iraquianos, líbios e iemenitas. Os fundadores, Samer Alkadri e Gulnar Hajo, um casal de justamente refugiados sírios, se mudaram para a Turquia em 2012, quando o serviço secreto sírio cercou Alkadri, um crítico feroz à repressão cometida pelo governo de Bashar al Assad, na sede de sua editora especializada em livros infantis, em Damasco. Na ocasião, Alkadri estava em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, por isso não foi preso. Mas ele e a esposa Gulnar decidiram fugir com os filhos, primeiro para a Jordânia e depois para a Turquia.

A livraria está situada na parte europeia de Istambul, onde hoje vivem muitas pessoas que escaparam da guerra (estima-se que os sírios que deixaram o país devido aos conflitos bélicos e que hoje vivem na Turquia beiram os 2,7 milhões de pessoas). Por isso, existe a preocupação de oferecer livros também em árabe, como a versão de O código Da Vinci, traduções de clássicos russos do 1900 e ensaios sobre a história síria. Segundo Alkadri, os títulos mais pedidos são os livros da escritora síria Elif Shafak e os dois clássicos de George Orwell, 1984 e A revolução dos bichos.

Com o tempo, o espaço também virou um ponto de encontro para a comunidade síria em Istambul, que pode discutir os problemas que devem afrontar como imigrante ou requerente asilo. Muitas pessoas querem ir para a Europa e discutem na livraria como fazê-lo, sem correr riscos.

A Pages funciona também como biblioteca: nem todos os livros estão à venda, assim as pessoas podem apenas pegá-los emprestados. Ou então, por 20 liras turcas (cerca de 21 reais), crianças e adolescentes podem retirar, por um mês, quantos livros quiserem.

Alkadri e Gulnar organizam ainda eventos, como exibição de filmes, oficinas, exposições e, claro, apresentação de livros. Um dos objetivos é fazer com que os turcos conheçam um pouco da Síria e desmontem preconceitos (por exemplo, muitos turcos pensam que os sírios são extremamente religiosos e, quando veem um livro em árabe, associam automaticamente a um texto sacro).

Gulnar, que também é ilustradora, organiza ainda oficinas de desenho para as crianças do bairro onde fica a livraria. Estes laboratórios funcionam como terapia, pois ajudam essas crianças a se distraírem um pouco e esquecer as dificuldades que passaram por causa da guerra.

Veja algumas fotos do espaço:

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