Inéditos de Fernando Pessoa

0

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888, e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade, aos 47 anos, em consequência de uma cirrose hepática. Seus poemas mais conhecidos foram assinados pelos heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além de um semi-heterônimo, Bernardo Soares, que seria o próprio Pessoa, um ajudante de guarda-livros da cidade de Lisboa e autor do “Livro do Desassossego”, uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século 20. Além de exímio poeta, Fernando Pessoa foi um grande criador de personagens. Mais do que meros pseudônimos, seus heterônimos foram personagens completos, com biografias próprias e estilos literários díspares.

Após sua morte, em seus “baús cheios de gente”, foram encontrados mais de 30 mil escritos que, ainda hoje, continuam sendo editados e que, pouco a pouco, vão sendo conhecidos em toda a sua amplitude.

Veja alguns poemas que recentemente foram compilados pelos professores Jerónimo Pizarro e Nicolás Barbosa, no livro Pessoa Múltiple:

 

Fresca e viva
A água viva
Só de ouvida,
Minha vida.

Sinto mais
Leves, ais
Minha dor
Quase amor.

Fonte calma
Dou-te a alma
Dá-me a tua
Fresca e nua

Já que a aurora
A ambos doura,
Minha irmã
Em manhã.

 

Sou um evadido
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu não é ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

 

Compartilhe

Deixe um Comentário

6 + oito =