Ideia improvável

0

Há pouco mais de 20 anos, o artista alemão Lutz Fritsch, de Colônia, teve uma ideia: montar uma biblioteca na Antártida para ocupar a vida dos pesquisadores que permanecem no local por até 15 meses, entre geleiras eternas e temperaturas que alcançam os 90 graus negativos no inverno. Após anos de preparativos, a ideia foi finalmente concretizada em 2005 e hoje completa 10 anos de existência.

A Biblioteca no Gelo, localizada no terreno da estação alemã de pesquisa Neumayer, é um contêiner verde de 38 metros quadrados, que reúne cerca de 700 títulos doados pelos próprios escritores, com dedicatórias especiais, como a de Günter Grass.

Para alcançar este pequeno santuário da cultura é preciso agarrar uma corda e caminhar, no meio da neve, do vento e de tempestades, cerca de 100 metros partindo da estação de pesquisa.

Uma vez dentro da biblioteca, é preciso tirar as botas e roupas de proteção e colocar uma pantufa. Além do sistema de calefação, responsável pela sensação de calor, a decoração do interior também traz essa sensação de acolhimento: estantes de cerejeira, escrivaninha com poltrona, sofá de couro e luzes individuais de leitura reforçam o contraste com o gélido deserto do lado de fora.

Segundo o idealizador da ideia, no meio de tanto gelo é comum que as pessoas sintam certa nostalgia das cores. Por isso, ao escolher os tons para decorar o local, Fritsch não teve dúvidas. “Os macacões de proteção dos pesquisadores são vermelhos, em torno de todo aquele branco. O verde não existe ali e se torna a cor da saudade. Além disso, é um ponto que se vê de longe, como uma Arca de Noé”, explica.

Em relação ao acervo, o artista diz que escreve pessoalmente aos escritores pedindo a doação de um livro com uma dedicatória aos pesquisadores.

 

Fonte: Libreriamo e WD

Compartilhe

Deixe um Comentário

3 + três =