Debate sobre Umberto Eco na BVL

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Nesta sexta-feira, 16, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) realizou o Clube de Leitura de dezembro, que foi uma discussão sobre o livro Numero zero, do italiano Umberto Eco. O autor, falecido em fevereiro deste ano, gostava de esbanjar erudição em suas obras. E nesta não foi diferente. Mas Numero zero traz outras indagações, especialmente em relação a forma como a mídia trata a agenda pública, por meio de notícias e informação. Eco traz neste volume uma crítica aguda a forma como é feito o jornalismo atualmente. E os participantes, em sua maioria, gostaram do texto.

Um dos exemplos dessa crítica é o chamado ‘argumento da autoridade’, quando os jornalistas usam uma fonte de informação para corroborar com a sua visão sobre o fato. Outro caso é um tipo específico de jornalismo que é usado para difamar alguma pessoa ou instituição, o que pode seria uma manipulação da opinião pública pela mídia. Para os moderadores do Clube de Leitura, o romance é um verdadeiro manual do jornalismo medíocre. Uma correlação fácil é o Chatô, o rei do Brasil, em que o Fernando Morais apresenta a biografia de Assis Chateaubriand, um dos mais importantes empresários da mídia que o Brasil já teve.

A trama de Número zero conta a história de um grupo de repórteres fracassados, que se preparam para lançar um jornal, o Amanhã. O periódico tem objetivo de chantagear, difamar e prestar serviços duvidosos a seu dono. A história se passa em 1992, na época em que a Itália vivia rodeada pela Operação Mãos Limpas, uma espécie de Lava Jato que colocou diversos mafiosos na cadeia.

Mas o livro também toca em outros aspectos históricos como a morte de Benito Mussolini, ditador italiano durante a Segunda Guerra Mundial; o assassinato do papa João Paulo I; o golpe de Estado de Junio Valerio Borghese, um político nacionalista do pós-guerra; além de historietas sobre a CIA, terroristas e mais um grande par de referências históricas, bem ao gosto do autor, que fez sucesso mundial com O nome da rosa e O pêndulo de Foucault.

Em janeiro, o Clube de Leitura na BVL vai debater Quarto de despejo: Diário de uma favelada, um livro de 1960 escrito por Carolina Maria de Jesus. A obra inaugurou um gênero que hoje é conhecido como literatura marginal. O encontro está marcado para a sexta-feira, 27, às 15 horas.

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