Bate-papo com finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

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No sábado, 1 de outubro, o Prêmio São Paulo de Literatura realizou o primeiro bate-papo com os finalistas da edição 2016. Estiveram presentes na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) Beatriz Bracher, Isabela Noronha, Júlian Fuks, Paula Fábrio e Sheyla Smanioto. O Encontro com o Escritor foi mediado pela jornalista Adriana Couto e o público conheceu um pouco mais sobre as obras e os processos criativos, além de trocar experiências e compartilhar ideias sobre literatura.

Beatriz Bracher disse que Anatomia do paraíso (Editora 34) foi o primeiro romance que compôs já com as linhas mestras da história. Levou cinco anos para escrever e mais um ano para reescrever. “Fiz alterações no microtexto, mas sem mudanças na estrutura final. Acredito que a reescrita é tão ou mais autoral quanto a escrita”. A trama é sobre um estudante que escreve uma dissertação sobre o Paraíso perdido, poema do inglês John Milton que narra a expulsão de Adão e Eva do paraíso. O contraponto é a sua vizinha, que trabalha no IML. A obra transita entre sexo, violência, pecado, culpa, traição, morte e redenção – temas que são retratados pelo olhar da cada protagonista.

Isabela Noronha comentou que seu romance Resta um (Cia. das Letras) é uma conta que não fecha. A história é sobre uma respeitada professora de matemática que enxerga a vida pelo viés dos números. Sua vida perde a lógica quando a filha desparece misteriosamente. “A matemática tornou possível o vazio, o zero, o mal. Ele é invisível, mas está aí”. A obra também aborda o machismo, mostra duas protagonistas fortes e fala do desespero de uma mãe que perde o que lhe é mais valioso. A autora estreante escreveu parte do livro em inglês e depois traduziu para o português. “Nesse processo ganhei um distanciamento do texto, mas foi um pouco caótico”.

Júlian Fuks, autor de A resistência (Cia. das Letras), comentou que segue na linha autoficcional e foca em uma história individual para abordar o coletivo, uma memória pessoal que se revela também social e política. Expõe um pouco das lembranças de seus pais, ativistas argentinos exilados no Brasil após o golpe militar naquele país. O pano de fundo da obra é a adoção de um irmão e as complexas relações familiares. “Não estou reinventando o passado da minha família. Existe uma ambiguidade que permeia a situação: o que é real e o que não é? Se meus pais foram exilados, seria eu também um refugiado?”.

Paula Fábrio disse que Um dia toparei comigo (Editora Foz) é um encontro após uma viagem e uma busca da protagonista por um pouco de si mesma. Sem trabalho e fugindo do luto pela morte recente do pai, ela resolve sair do país e viajar com a namorada pela Europa. “Essa busca e essa viagem têm a ver com a busca do leitor por lugares, histórias e autores contemporâneos. Tanto que o livro tinha outro nome quando escrevia, Ponto de fuga”. Comentou que ao começar, já tinha uma sinopse inicial, que foi mudando ao longo das páginas. Sua grande dificuldade foi descobrir o tom do livro, logo nas primeiras 50 páginas. “Depois de escrito, guardei uns seis meses na gaveta. Aí recomeço uma nova jornada. Quando vou revisar e reescrever, releio todo o livro até o ponto que parei. Só assim entro na história novamente”.

Sheyla Smanioto falou que Desesterro (Editora Record) é quando a sua terra volta em você, o que no livro se dá por uma escavação na periferia de São Paulo que desenterra a história de Fátima, a protagonista central da história. “Toda a ação remete ao passado da protagonista. Neste livro de estreia tento falar do corpo, do feminino, do machismo e dar voz a uma periferia que raramente é vista na literatura”.

Nos dias 8 e 9 de outubro, vão ser realizados mais dois Encontros com o Escritor nas bibliotecas de São Paulo (BSP) e Parque Villa-Lobos (BVL). Os bate-papos acontecem às 11 horas e têm mediação da jornalista Adriana Couto. A cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura será na BVL na segunda, 10, às 20 horas.

Para conhecer melhor os autores e os livros finalistas, acesse este link.

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